quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Regresso às aulas

Digam lá que não têm saudades do regresso às aulas. E aulas, refiro-me a aulas de qualquer um dos ciclos preparatórios para o ensino superior.

Ir comprar canetas que só apetece experimentar em tudo o que é papel, os cadernos a cheirar a novo, com as folhinhas ainda tão direitas e imaculadas, os estojos novos, onde têm de caber as mil canetas de cores diferentes que comprámos, das quais não usaremos nem cinco ao longo de todo o ano lectivo. As mochilas, que na minha altura não tinham rodinhas, levavam os livros das disciplinas de um dia inteiro, chegava a andar com 10 quilos de material escolar às costas.

Os dossiers onde eu colava recortes de revistas do que eu mais gostava, cantores, actores, desenhos animados, fotos minhas com os amigos, colava tudo o que tinha simbolismo e cheiro a adolescência. Os livros novos que só apetecia explorar, mas que sabíamos que mais dia menos dia nos dariam dores de cabeça. Os lápis novos, que afiávamos de raiz, porque eram vendidos sem ponta, que saudades!

Fazer os sumários no início da aula, para saber o que íamos dar, dizer "Presente" quando a professora chamava o nosso nome, sermos chamados ao quadro, para escrever em ardósia, com giz branco para o "normal" e giz de cores para sublinhar ou evidenciar a parte mais importante do exercício. Ficar com pó branco na ponta dos dedos e adorar quando eramos nós a estrear o pau de giz branco, que acabava sempre por se partir ao meio nas nossas mãos, ou aproveitar aqueles cotos minusculos que a professora deixava, em formato de triangulo, que ainda davam para escrever mais uma ou duas palavras ou números.

Na primária, as mesas da escola onde andei ainda tinham um tampo de abrir, que tinham no topo uma ranhura para colocar a caneta permanente e o buraco para pôr o tinteiro, recordações de regressos às aulas muito anteriores. Adorava picotar as folhas com as letras do alfabeto, em cima de uma esponja amarela, com um pico pequeno, com cabo de madeira, onde colávamos um pequeno papel com o nosso nome (e agora já nem existe este sistema, agora há tesouras de picotar), usar os compassos, os esquadros, as réguas, os transferidores, era tudo tão jovem, era tudo tão primordial e interessante. E as plasticinas? Deliciosas de brincar! O cheiro da cola UHU, que era a que os meus pais me compravam e que na altura nos fazia comichão no nariz quando tirávamos a tampa, mas que nos permitiam fazer colagens de tudo, nos trabalhos plásticos, até os nossos dedos. Lembro-me que ficava com cola nas mãos durante pelo menos um ou dois dias!

As linhas de miósotis que fazía no caderno para diferenciar as matérias, na primária, que recordo com tanto prazer, porque era geralmente nestas pequenas flores que tinham de caber apenas numa linha, que se estreavam as canetas de feltro. Geralmente era uma embalagem de 12 canetas, 25 só para alguns, da marca MOLIN, e recordo-me muito bem da sensação de retirar a tampa e sentir aquele cheiro característico. Essas canetas já não serão uma realidade para os nossos filhos, porque a fábrica fechou, no entanto cada vez que vejo dessas canetas lembro-me dos desenhos que escolhia fazer com cada uma delas. O sol, que era sempre a amarelo torrado, os rostos dos bonecos que desenhava, a cor de pele, as flores sempre com o verde mais escuro, porque o mais claro era para a relva. O castanho para os troncos das árvores. Perdemos grande parte do que eram as coisas realmente boas de se andar na escola.

E hoje, já nem nos lembramos e quando chega a esta altura e vemos as crianças nos corredores, a escolher o material escolar, enquanto nós estamos a ir buscar a caneta azul número 523, desejamos cá dentro estar a correr, corredor atrás de corredor, a escolher as canetas mais bonitas, os afias mais elaborados, os cadernos da nossa cor preferida, correr de volta para ao pé dos nossos pais e perguntar "Posso levar isto?" vezes sem conta. Levar 3 ou 4 nãos, e não ficar chateada com isso, voltar a ir escolher substitutos. São recordações tão doces. Eu pelo menos sinto isso muito, vocês não?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Filmes da nossa infância. Nossa salvo seja...

Sou só eu que ainda fica contente de ver filmes antigos no Natal? Eu adoro filmes de quando era pequenina, nada me demove de ocasionalmente procurar no youtube um filme inteiro para me distrair quando tenho tempo livre. Gostava de vos relembrar alguns...daqueles que nos dão cociguinhas no estômago de lembrar...e dar-vos acesso a eles ;)

Ruthless People - "Por Favor Matem a Minha Mulher" (aquelas traduções TÃO literais)
Link da primeira parte (depois vão clicando nas seguintes para ver o filme todo)
http://www.youtube.com/watch?v=ZjHuFbXDvXw

Danny Devito no seu melhor com a Bette Middler. Este filme já tem mais de 20 anos e eu continuo me a rir que nem uma desgraçada cada vez que o vejo.

I Love You To Death - "Amar-te-ei Até te Matar"

Kevin Kline novinho, e River Phoenix, que nos deixou tão novo eque tem aqui um papel muito engraçado. O desgraçado do Joe Boca farta-se de morrer e não há maneira de ser definitivo
Super Mario Brothers Movie - "Super Mario o Filme"
Dennis Hopper, John Leguizamo e Bob Hoskins antes de ser o Ms. Shmee no "Hook" (http://www.youtube.com/watch?v=DEgMkUOoRrU).

Twins - "Gémeos"

É TÃO giro este filme - Danny Devito e Arnold Desfaz se em merda :P

Big Business - "As Gémeas"

Dos melhores - Lilly Tomlin e Bette Middler...

e finalmente...

Ghostbusters - "Os Caça Fantasmas"

Dan Akroid, Bill Murray e Sigourney Weaver com a pandilha contra o fantasminha verde!!!




Deixo-vos com o link da minha música preferida de infância, de um filme que infelizmente não consigo encontrar nem no youtube nem em lado nenhum (grátis, claro). Somewhere out There do filme Fievel - Um Conto Americano

Saudações da Anita



terça-feira, 7 de setembro de 2010

Azar ao amor? Sacrifique uma vaca

Antes de mais...tenho saudades do Global. Era o meu jornal gratuito de eleição. Agora I'm stuck com o Destak. Foi a lê-lo que me ocorreu um bom tema para escrever.

Toda a gente tem problemas, sejam conscientes ou não, há sempre alguma pedra no nosso sapato, por mais felizes que estejamos. Mas, como se costuma dizer, se "Se é chato coça, se coça faz ferida, se faz ferida vai ao médico, se vai ao médico paga, se paga é chato, se é chato coça....". Porque é que as pessoas desesperam para resolver problemas a qualquer custo? Como é que há pessoas que se deixam cair em falcatruas que as levam à falência, aumentando ainda mais os seus problemas? Conheço duas situações que me revoltam porque considero tão obtuso que me faz realmente acreditar que Portugal está cheio de tansos, ingénuos, ignorantes e incapazes de discernir o certo do errado.

Uma delas é a igreja do Reino de Deus. Essa espécie de instituição dita "religiosa" pode realmente dar aos seus "ovelhinhos" uma nova razão para viver. Que é encher-lhes os bolsos de dinheiro. Mas de certa forma, há coisas que eu consigo entender. Quando aquilo que as pessoas realmente necessitam é um bocadinho de fé, as igrejas deste tipo dão-na. Aliás, incentivam as pessoas a ter esperança que TUDO se pode realizar. Ás vezes o que é necessário é alguém dizer "Tu és capaz, isso vai acontecer, tu vais melhorar" e eles dizem-no. O problema é que pedem dinheiro e fazem as pessoas acreditarem que é essa doação que faz com que a sua fé e esperança voltem. Não brinquem comigo, porque é que estão sempre enormes carrões, topo de gama, à porta das igrejas? É alguma espécie de dividendo de Deus por atrairem crentes? Sou completamente contra as pessoas que pretendem vender a fé e os milagres "atidos" a essa fé. Mas sou ainda mais a favor dos frequentadores abrirem os olhos e pararem de dar dinheiro a esses grandes chulos. Vão a uma igreja a sério se são crentes, lá corre um cesto para dar dinheiro, mas ninguém vos olha de lado se não puderem dar e se tiverem a mais têm caixas de esmolas onde podem dar se quiserem. No Reino de Deus é "Queres? 5000 euros".

 Mas isto ainda é o menos. Conheço duas pessoas que já consultaram um daqueles mil "professores" videntes, curandeiros, bruxos, que fazem curas milagrosas para tudo, desde dores de barriga a traição marital. Um senhor que eu conheço teve um problema com a mulher. Traiu-a e ela deixou-o. Mas ele arrependeu-se muito e queria-a ter de volta a qualquer custo. Então visitou um dos professores. Quando lá chegou, entrou numa sala forrada a panos de seda com cores muito berrantes, roxos, rosas e afins e avistou no fundo da sala, um senhor vestido de turbante azul, sentado, com o cotovelo numa mesa, com a cabeça apoiada na mão, a olhar para uma pequena televisão que estava atrás dele, num daqueles suportes altos de parede. O cliente sentou-se. Ele disse bom dia. O cliente começou a falar e ele manteve-se na mesma posição, a olhar para a televisão, onde estava a dar a telenovela. O cliente falou durante cerca de 20 minutos, a dizer o que o trazia ali, até que se cansou de falar para o boneco e perguntou-lhe se ele podia ouvi-lo e dizer qualquer coisa. E o professor respondeu:

- Os espíritos falam comigo através da televisão, eu estou a ouvi-lo, mas eles estão me a dizer as respostas que você procura e no final de me contar a sua história eu já vou ter a solução para todos os seus problemas.

E o senhor que eu conheço continuou a falar, enquanto o professor via a telenovela ( =S ). No final, a solução era muito simples. Se ele queria ver o problema resolvido, pagava 1500 euros de sinal, trazia algum cabelo da senhora, uma fotografia, uma galinha preta viva, esperava quinze dias, voltava lá para saber se tinham havido progressos, pagava mais 1500 euros se ainda não tivesse sido resolvido, porque era sinal que era muito forte e tinha de levar mais pertences da senhora, uma peça de roupa ou algo parecido e novamente uma galinha preta, e finalmente quando fosse resolvido, pagaria 5000 euros. Acham que se resolveu alguma coisa? Não, não se resolveu nada. Acham que ele alguma vez conseguiu reaver o seu dinheiro? Não, claro que não. Ele chegou efectivamente a pagar os 5000 euros, porque a mulher lhe tinha ligado e isso para o professor, era o início das conversações de paz e no espaço de um mês estaria tudo resolvido. Já lá vão quase dois anos. Eles continuam separados.

O outro senhor foi bem pior para mim. Não tanto pelo dinheiro, a quantia não foi muito diferente, mas foi o que ele teve de fazer, a mando de outro dos professores que consultou. Este tinha um problema relacionado com o emprego. Ele tem uma doença mental degenerativa que lhe estava a toldar a capacidade de efectuar o seu trabalho. Quando lá foi, recebeu logo o chá - "eu sei o que se passa consigo, preciso que você me pague 2000 euros e se encontre comigo num sítio que eu lhe vou indicar amanhã de manhã, numa mensagem escrita". Toma lá os 2000 euros, no dia seguinte recebeu uma mensagem a dizer para se encontrar com ele num descampado ali para os lados da Amadora e quando lá chegou, estava lá o senhor e uma cabra. O que ele teve de fazer foi matar a cabra, sangrá-la, fazer umas rezas, beber um bocado do sangue e ir embora para casa esperar resultados. Passado um mês, continuava à espera. Pagou mais 3000 euros, pelo resultado que chegaria. Isto foi há cerca de 3 anos, ele hoje está reformado por invalidez.

Não se deixem enganar por esses charlatões.

Saudações da Anita

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Food and food

Tenho de vos dizer, este fim de semana nasceu em mim um Jamie Oliver pequenino. Só me apetecia cozinhar, e cozinhei três pratos magníficos! (Modéstia à parte) Tudo me inspirava, fartei me de ver programas dos "Globe Trekkers" e "Planet Food" e de lá saíram duas maravilhas culinárias. Ou melhor 3, mas a última é tipicamente portuguesa, nada de especial em termos de influências, a não ser a minha brilhante astúcia (MUAHAHAHA).

Antes de mais, todas elas servem seja de que maneira for, para aproveitar restos. Não se tem de fazer com ingredientes novos, um bife frito pode voltar a ser utilizado, frango assado idem.

Um deles foi inspirado no Globe Trekkers em Barcelona e tem o nome fantástico de "Mar e Montanha". Como eu mudei a receita para se assemelhar mais a algo que eu comesse, vou lhe chamar "Trancão e Morro". Então o que é necessário é frango, eu usei meio frango fresco, que deu para 3 pessoas, sem miúdezas e cortado em pedaços não maiores que a palma da mão (temperado antes de ir para a panela com sal grosso, pimenta e um bocadinho de tomilho), uma colher de sopa de sal grosso para usar mais tarde, meio copo de azeite (presumivelmente 10/15ml), cabeças de gambas, umas 5 ou 6 chegam, as gambas em si são opcionais, eu usei, mas não é necessário, só mesmo as cabeças, 2 cebolas grandinhas, 3 dentes de alho, 3 cenouras, um pimento verde, dois tomates não muito grandes, um copo grande de água e um cálice de vinho do porto (a mesma quantidade do azeite). Tudo o que é legume, eu cortei aos pedaços, em nenhum formato em particular, cortei para meter tudo para a panela, ou seja, o mais pequeno possível. Mete-se o azeite e as cabeças de gambas numa panelinha, em lume brando para não esturricar (como é meu hábito) e deixa-se estar um bocadinho, até as cabeças de gamba começarem a ficar bem douradinhas. Tiram-se as cabeças e podem se meter as gambas ou não, como preferirem, e mete-se de seguida o frango, toda a parafernália de legumes, o copo de água, o vinho do porto e a colher de sal. Em lume bem brando, deixa-se cozinhar o franguinho e quando estiver todo bem branquito, que pode demorar cerca de 20 minutos em lume brando, pode se colocar lá dentro ou massa já semi cozida ou já cozida de outra refeição que queiram reaproveitar, ou mesmo arroz. E mantém-se na mesma o lume brando até coser, ou até aquecer, ou seja, 10 minutos se ainda nao tiver cosido, 5 se já tiver. A melhor parte é ver o meu gajinho a "lember-se" todo com as minhas culinárias malucas.

O outro prato é muito simples. São "Tortilhas", mas mais uma vez, como eu fiz à minha maneira, vou lhes chamar "Tortolas". Para este podem usar várias carnes que tenham para o frigorifico, de outras refeições, e picam tudo. Podem usar carne de vaca e/ou peru frescas e também picar tudo. E para a outra parte do prato, podem usar esses mesmos bifes já fritos e cortá-los aos quadradinhos da largura do vosso polegar, ou fazer o mesmo com bifes frescos. Passo número um - comprar tortillas. Eu comprei uma embalagem de 10 no Jumbo, que me custou cerca de 2 euros e tal. Para 3 pessoas isso chega, para mais que isso, tem de se comprar mais! Menos que duas não é uma refeição.  Os bifes cortados aos pedacinhos são para temperar com sal e pimenta e para panar. E pelo amor de Deus, não me comprem aqueles bifes já panados, sõ o qudruplo do preço dos bifes simples e pana-se a carne em 5 minutos. Três pratos, sendo que dois deles deveriam ser preferencialmente de sopa. Num deles, 2 a 3 ovos e um bocadinho de vinho branco. No outro, pão ralado. Acho que não é preciso ser-se um génio para entender a ordem disto, certo? Bem, como eu ando numa onda de comida saudável, em vez de fritarem os panados, experimentem pô-los no forno. A 200 graus, cerca de 15 minutos. Foi o que eu fiz e fiquei com milhentos quadradinhos de carne panada com um aspecto fantástico. Sem óleo a escorrer. Cortei 1 pimento aos palitos (ou qualquer coisa parecida) e ralei uma cenoura. No centro da tortilha pus 3 ou 4 quadradinhos panados, 3 ou 4 tirinhas do pimento e um pedaço de cenoura ralada. Mete-se um bocadinho de maionese, para selar a tortilha em cima. Podem usar da de alho, eu uso a que o meu pai faz que é para mim, uma das maravilhas do mundo. O que também é capaz de ficar bem aqui é maionese com um bocadinho só de doce de morango. É absolutamente maravilhoso.

Para a outra parte do prato, cerca de meio quilo de carne picada (que pode ser reutilizada com um bocadinho de massa, que dá um optimo esparguete à bolonhesa) temperada com vinho branco, sal e pimenta, um bocado de manteiga e de banha de porco, uma cebola cortada aos quadradinhos bem pequeninos, 2 tomates cortados às fatias, e 3 dentes de alho. Tudo excepto a carne, é colocado numa panela e deixa-se estar um bocado em lume brando, quando a cebola já estiver molinha, coloca se um bocado de sal, e pica-se tudo com o 1, 2, 3. Eu ainda sou do tempo do 1, 2, 3 e não há nada que mo substitua, principalmente para javardar o fogão todo com pedaços do que pico dentro das panelas. Quando estiver tudo picadinho, corta-se uma cenoura aos bocados grosseiros, mas relativamente pequenos e mete-se la para dentro com a carne. Lume brando. Quando a carne estiver toda uniformemente castanha, deixa-se estar mais 5 minutos no refogado e pode-se apagar o lume. Numa frigideirinha, salteei duas cenouras com um pedaço de manteiga e vinagre balsâmico. Quando as sentirem moles, desliguem. Na tortilha, metam a carne picada no centro e três ou 4 tirinhas da cenoura que se forem como eu, não vão conseguir parar de comer.

Para sobremesa, tive uma grande ideia. Aproveitar todas as frutas do frigorifico, que lá ficariam Ad eternis, se eu não as usasse. As que eu usei foram: 3 maçãs, 2 pêssegos, duas fatias de melão, 1 laranja, 1 tangerina, 5 ameixas verdes e 4 roxas e uma banana. Cortei as todas aos quadrados pequeninos. Mais ou menos a meio, salpiquei toda a fruta com canela e uma chavena daquelas de café, cheia de açucar. Continuei a cortar e no final adicionei mais açucar por cima,  um copo grande de vinho do porto e duas flores de anis secas, misturei tudo com as mãos (logo a seguir a ter tirado macacos do nariz) e meti no frigorifico cerca de duas horas. Nham é o que vos tenho a dizer

P.S. - as fotos são dos originais, os meus desapareceram depressa demais entre os dentes de toda a minha família para eu ter tido oportunidade de os captar

Saudações de água na boca da Anita.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Fascínio pelo vintage

Meus queridos, dou por mim aqui assintada no escritório, com uma poupa a tentar imitar um Mohawk dos anos 20, maquilhagem a condizer, excepto as beiças rouges para não dar ares de senhora das ruas, óculos escuros iguais aos que eu me lembro do meu bisavô ter na cara nas fotografias dos anos 70  (mas em imitação de leopardo, não em roxo) e de facto, estamo a viver uma reviravolta da percepção de moda. Eu odeio modas, mas há cá coisas do caneco.

Acho que nunca passei tempo suficiente ao pé de pessoas que evoluiam com as modas, geralmente seguia-me muito por mim mesma, mas agora, dou por mim a gostar de coisas que vejo os miúdos usar que roça uma mistura da loucura dos anos 60 com a sobriedade de agora. As coisas que eu em miúda roubava das arcas do sótão para vestir, enquanto tirava fotografias para depois rir com o pessoal, está hoje a ser novamente usado. Na rua! Fascina-me! E a combinação do vintage com o new age torna-se assim um estilo que eu acho particularmente engraçado.

Para a semana vou ter exame de teoria da comunicação. Emissor, mensagem, receptor, TDT, Web 2.0, essas coisas. Quem me mandou a mim ficar com 39 graus de febre no dia do exame na épca normal? Isto a culpa é toda do governo! Falar em febre por falta do governo, no ano passado apanhei pela primeira vez a vacina da gripe sazonal, mas fiquei doente na mesma ao longo do Inverno. A mim não me apanham outra vez a dar o braço para mo furarem por causas perdidas.

In other news... comprei um guia do American Express. Já tinha comprado um quando fui à Polónia, que não me serviu de nada, mas este, até me dá dores nas bochechas de cada vez que me meto a ler. Eu vou MESMO lá. Depois de tantos anos a sonhar...a pensar como seria, a treinar a língua. Eu vou lá. E só consigo pensar nisso.

Nunca mais começam as aulas, nem acredito que eu e a minha turma já somos finalistas. Ainda ontem olhavamos todos uns para os outros na nossa primeira aula, a pensar com quem nos identificaríamos, e estamos quase a vestir os trajes. Quero tanto! Ando numa onda de ansiedade por tudo, não dá para avançar uns anos na vida para ver como vai ser? Se isto continuar assim, ainda me encontram aí caida com o meu ticker a tilintar. . .

Hoje não tenho muito para dizer, já estamos quase de fim de semana e apetecia me ir passear mas tenho tanto que estudar, que o mais certo é passear até ao ISLA...esta vida está a andar muito devagar, quero o amanhã já. Ou melhor, todos os amanhãs.

Saudações futurísticas e vintage da Anita

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Uma faca? Anyone? Não? ok...

Nem vos consigo explicar bem a quantidade de projectos que apareceram de repente na minha cabeça e que me teem consumido o tempo todo. Entre eles, os piores: os exames que tenho de fazer agora em Setembro, o facto de ter decidido o tema do meu trabalho de final de curso que me tem dado pano para mangas e me tem deixado muito entusiasmada e finalmente, a concretização de um dos maiores sonhos da minha vida, que só em Janeiro se irá concretizar, mas que me faz sonhar e rir como os malucos constantemente!

Ontem já tive o meu primeiro exame e digo-vos de antemão, Ética é engraçado, mas resolver problemas de forma a que o máximo de pessoas fiquem felizes e poucas ou nenhumas prejudicadas, é cá uma treta! Imaginem que um senhor vai fazer um check up ao hospital, e de repente descobrem que ele tem uma apendicite e tem de ser operado de urgência. 4 pacientes, no mesmo hospital, precisam de 4 transplantes de órgãos para sobreviver e coincidentemente, este senhor da apendicite tem o mesmo tipo de sangue do que eles e reune todas as condições para ser doador. Pela lógica do utilitarismo, uma das correntes éticas, este senhor devia ser sacrificado pela felicidade dos outros, porque a dor/sofrimento dele é largamente ultrapassada pela sobrevivência, logo prazer, dos outros 4. Curioso an? Uma teoria de ética, que supostamente analisa a moral dos homens, mas que viola completamente a condição e a integridade humana. Mas a conotação também é puxada um  pouco ao extremo, esta, tal como umas outras tantas situações são quase absurdas, mas para Jeremy Bentham, o seu fundador, eram justificáveis. Este grande senhor está em exposição (sim, o senhor é que está em exposição) numa faculdade no Reino Unido, com o seu corpo mumificado, uma cabeça de cera e a sua cabeça no meio dos seus pés. Em exposição. Dentro de um armário. Os alunos tiravam-lhe a cabeça (devem ter sido criados por lobos) para prepar partidas na fase das praxes, então a cabeça ficou muito mais deteriorada que o corpo. Meto-vos aqui uma fotografia para terem sonhos bonitos esta noite.

Em notícias igualmente macabras, vi há alguns dias no Travel Channel um programa de dois exploradores que visitam as cidades do Mundo e que vieram até Lisboa. Então vou vos dizer o que eles retrataram em Lisboa. Na baixa, um deles estava a beber uma cerveja numa esplanada e chegou um homem todo roto que desatou a andar de skate e a dançar Michael Jackson, ao que ele achou muita piada. No final, parecia que ele se tinha ido embora, mas afinal voltou para trás e pediu lhe uma cerveja. O apresentador disse lhe para ele a ir buscar que lha pagava. Ele trouxe um balde de meio litro de cerveja e foi se embora. Logo a seguir, o apresentador dirigiu-se à casa de Ginja. Lá, mais uma vez, foi interpelado por um senhor bêbado, que se limitou a grunhir para ele enquanto ele lhe tentava perguntar se havia de comer a ginja ou não. Senti-me verdadeiramente envergonhada. Os apresentadores passaram o tempo a fazer pouco da cidade, da cultura, das pessoas. Senti-me verdadeiramente triste. Não é que seja uma apologista fervorosa de Portugal, mas é um país que tem muita história e muita cultura, mas não admito que venham fazer pouco da cidade, porque decidiram emitir dois bêbados que fizeram com que os atrasados dos apresentadores catalogassem a cidade de imediato. Foram ao Bairro Alto à noite e um miudo que pelos vistos não gostava muito da confusão de lá, foi lhes dizer que lá estava porque adorava estar bêbado. Filmaram pessoal no marmelanço encostado às esquinas, pessoal a vomitar e ainda lhes foram dizer que tinha sido morto um rapaz naquela rua na noite anterior. Cada vez pior. Lá se decidiram a ir às praias da linha (ao menos nao foram assaltados, mas a àgua pelos vistos era horrível, pelo que ela disse) e foram a Sintra, que os encantou. Sintra encanta toda a gente. Falaram da quinta da Regaleira, foram lá fazer pouco do riquinho que estoirou a fortuna naquele sonho macabro da construção da quinta e no dia seguinte foram até ao Aqueduto das Àguas Livres. Aí foi-lhes contada a história de Diogo Alves, o assassino que roubava as pessoas e as mandava do aqueduto lá para baixo por maldade. Diogo Alves foi apanhado, enforcado (último português a que foi aplicada pena de morte) e a sua cabeça decepada para estudo, os centistas portugueses da faculdde de ciências de Lisboa queriam entender se havia alguma causa fisionómica para gerar tanta maldade voluntária e gratuita. A cabeça pressiste, em formol, num frasco. Uma feição estranhamente calma, tendo em conta a quantidade de pessoas que matou por uns trocos. Deixo-vos com mais uma imagem bonita. Como os estudantes de medicina o chamam, carinhosamente, apresento-vos o "Fu-Manchu" Diogo Alves. Arranjaram essa alcunha porque as feições de Diogo Alves parecem agora passado este século, as feições de um oriental.

E pronto, prometo-vos que amanhã volto

p.s. - sim tenho um fascínio um bocado doentio pelo macabro, mas acho que todos temos um bocado.

Saudações da Anite